sábado, 27 de outubro de 2012

GREVE DA PMBA DE 2001 O TRATAMENTO DOS CARLISTAS FOI DIFERENTE DO PT?

Abaixo republico reportagens da greve da PMBA de 2001, quando os "Carlistas" governavam o estado. O governador era César Borges. Durante o período grevista 68 militares foram expulsos da corporação e os líderes do movimento foram presos. Não quero com isso defender partido "A" ou partido "B", tenho posicionamento político adquirido ao longo dos anos. Quero refrescar a memória daqueles que sempre reprimiram movimentos, sociais e sindicais. Perseguiram desafetos políticos e renegaram projetos de cunho social. Um dos fatos que marcou a minha infância aconteceu na praça da Matriz em Feira de Santana, no comício do então governador ACM, quando um grupo de professores da APLB começaram a levantar algumas faixas, logo a PM chegou para acabar com aquele ato. Eu vi os professores correndo para todos os lados, se escondendo da "Malvadeza" de um tirano. Vejam a seguir duas publicações da época e relembrem como foi a greve da PMBA que parou o estado.

Veja OnLine

Na semana passada, ladrões e desordeiros estavam à vontade em Salvador. Seis agências bancárias e quarenta ônibus foram assaltados só na quinta-feira. Dezenas de lojas tiveram os estoques saqueados. Centenas de encapuzados,
muitos usando uniforme da Polícia Militar, rodavam pela cidade exibindo armamento pesado. Um grupo desses chegou a desfilar pelos corredores de um shopping, aterrorizando comerciantes. Cidadãos em pânico corriam de um lado para o outro, com medo de arrastões, de tiroteios e dos mascarados. Algumas pessoas saíram armadas, dispostas a se defender a bala na hipótese de assalto. Emissoras de rádio apelavam para que a população não saísse de casa. Os bancos e o comércio fecharam as portas. Empresas de transporte reduziram o serviço ao mínimo. A preocupação com parentes e amigos levou muita gente ao telefone. Um aumento de 60% no total de ligações tirou aparelhos do ar por quatro horas e isso deu origem a um boato sobre sabotagem no sistema. O corpo de um homem morto a tiros ficou horas estendido numa passarela sobre uma das principais avenidas de Salvador. A média de homicídios a cada 24 horas aumentou de três para dez casos. Pior: em cidades em torno da capital, o cenário era idêntico.

Na manhã de quinta-feira, enquanto a balbúrdia crescia, os homens mais poderosos da Bahia estavam a 500 quilômetros de Salvador, fazendo política no sul do Estado. O governador, César Borges, e uma dupla de senadores pefelistas, Paulo Souto e Waldeck Ornélas, foram a Ilhéus para o pré-lançamento de um programa agrícola do governo federal. O presidente Fernando Henrique Cardoso irá à região dentro de uma semana, para apresentar oficialmente esse programa. Embora não suba mais em palanques governistas, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães arrastou toda sua turma até Ilhéus para faturar com o anúncio antecipado dos benefícios aos agricultores. Foi só depois dessa cerimônia que o governador e sua trupe trataram da segurança dos baianos. De lá o grupo partiu para Brasília, para tornar oficial um pedido de ajuda ao Exército para a contenção da baderna e do pânico em Salvador. Àquela altura, já havia moradores da cidade pedindo socorro até em telefonemas para o escritório local de VEJA.

"Não tenho mais a quem recorrer", dizia a comerciária Maria Cristina dos Santos, sentindo-se ameaçada por uma tropa de encapuzados. Em greve desde a semana anterior, exigindo aumento de 100% nos salários, os policiais militares da Bahia tornaram-se o principal motivo de insegurança na capital. O salário é de 575 reais. "O pior do Nordeste", diz o presidente do Sindicato dos Cabos e Soldados, Crispiniano Daltro. Antes da mobilização, o governo prendeu líderes do movimento, o que exasperou os soldados. Primeiro, eles desafiaram o governador decretando uma paralisação para forçá-lo a oferecer mais que os 14% propostos no começo da negociação. Depois, ganharam a adesão dos policiais civis, bombeiros e vigilantes bancários. Em seguida, diante da hesitação de Borges – que demorou a pedir oficialmente a ajuda de tropas federais –, 800 deles tomaram três quartéis, armaram-se com fuzis e escopetas e constituíram milícias para assustar a população. Só na manhã de sexta-feira, quando 24 quartéis já estavam nas mãos dos amotinados, esse clima de anarquia pareceu diminuir. Depois de uma noite inteira de saques e desordens, principalmente na periferia, os primeiros soldados do Exército começaram o patrulhamento.

Os problemas do governo baiano, porém, estavam longe de ter um final. Professores, fiscais de trânsito, funcionários da Justiça e motoristas de ônibus também estavam em greve na sexta-feira, uns por aumento de salário, outros para não enfrentar a insegurança nas ruas. O comércio ficou fechado. O Banco Central determinou que as agências de Salvador só reabrirão quando a situação estiver controlada. O governo estadual decretou ponto facultativo nas repartições públicas. No presídio Lemos de Brito, onde os presos estavam sem banho de sol fazia cinco dias por falta de policiais para vigiá-los, iniciou-se uma rebelião. Dos 29.000 PMs baianos, só os coronéis e uns poucos oficiais abaixo deles não se envolveram na greve. Paralisações de policiais aconteceram também nas cidades do interior. O general Edson Sá Rocha, chefe do comando militar do Nordeste, anunciou que não atacaria as tropas amotinadas e só restou ao governador mandar cortar a água e a luz dos quartéis. "O que podemos fazer é esperar que eles desistam do movimento", resignava-se a secretária de Segurança Pública, Kátia Alves. (matéria publicada: http://veja.abril.com.br/180701/p_052.html)

Folha On Line

No caso baiano, está sendo identificado o uso da greve de parte da PM por deputados estaduais contrários ao governador César Borges (PFL), o que transformou as reivindicações salariais em disputa com caráter eleitoral.

Em greve há sete dias, PMs que trabalham em Salvador ocuparam ontem à tarde mais um batalhão, o 18º, que dá segurança ao centro histórico da capital baiana.

Os grevistas controlam 4 dos 7 batalhões localizados na região metropolitana de Salvador.

Segundo a PM, dos 2.324 policiais escalados para trabalhar ontem em Salvador, 1.480 foram às ruas. A Associação de Cabos e Soldados informou que 126 soldados trabalharam normalmente.

Dos 3.600 civis, 250 trabalharam ontem, segundo o sindicato da categoria. A Secretaria da Segurança Pública informou que a adesão à greve entre os civis atinge 20% da categoria. São 24.400 PMs e 3.600 policiais civis.

Anteontem, o juiz Eduardo Carvalho concedeu liminar ao governo estadual determinando a imediata reintegração de posse em todos os quartéis (5º, 8º,16º e, agora, o 18º) ocupados pelos rebelados da PM. Segundo a liminar, o governo pode requisitar a força para cumprir a determinação judicial.

Temendo um confronto entre os próprios policiais (os PMs aquartelados estão armados), César Borges voltou a afirmar que prefere dialogar com os grevistas.


Anteontem, o Exército se ofereceu para realizar a segurança na capital baiana, mas Borges também não aceitou o pedido.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Bahia, Agnaldo Pinto, disse ontem que os aquartelados não vão cumprir a determinação da Justiça. "O que nós queremos é abertura de um canal de negociação".

Os grevistas reivindicam piso salarial de R$ 1.200, a reintegração de 68 militares exonerados e a libertação de dois líderes do movimento que estão presos. O governo oferece reajuste de 14% e admite aumentar o percentual, desde que a greve seja suspensa. (
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u32707.shtml)


2 comentários:

  1. O PIOR DEPOIS DE LER TUDO ISSO, É SABER QUE QUEM SE DIZIA CONTRARIO A TUDO ISSO QUE ACONTECEU QUE FOI O SR. JAQUES WAGNER, FEZ PIOR DO QUE ESSE GRUPO POLITICO LIDERADO POR ACM, WAGNER PROVOU SER DEMAGOGO, FALAVA UMA COISA E FEZ OUTRA, COM CÉSAR BORGES PELOS MENOS NÃO HOUVE INVASÃO DO EXERCITO BORGES E A MIDIA FALAVA A VERDADE, E ALERTAVA A POPULAÇÃO SOBRE O QUE ESTAVA ACONTECENDO , DIFERENTE DESSA GREVE ATUAL QUE O MUNDO ESTAVA ACABANDO E AS EMISSORAS DE RADIO E TV DIZIA QUE ESTAVA TUDO DENTRO DA NORMALIDADE.

    ResponderExcluir
  2. AH! E O MESMO CESAR BORGES, E OTTO ALENCAR QUE ERAM CARLISTAS E RESPONSÁVEIS POR ESSA GREVE EM 2001, HOJE ESTÃO DO LADO DO GOVERNADOR, BORGES HOJE ESTÁ NO PR( PARTIDO DA BASE ALIADA AO PT) E OTTO ALENCAR É VICE GOVERNADOR, MAIS UMA VEZ A PROVA DA DEMAGOGIA DO GOVERNADOR, ENTÃO AMANHÃ EM SALVADOR É 25 NA CABEÇA!!

    ResponderExcluir